Random header image at De Primeira

Final do Estadual em dois jogos. Para quê?

May 14th, 2012  |  Published in Uncategorized

Ontem (13 de maio), o Fluminense venceu o Botafogo por 1×0 e conquistou seu 31º título carioca. Por mais que o Estadual esteja cada vez menos valorizado, caneco é caneco. No dia da partida, os bares ficam até tarde tomados pelos grupos de torcedores em comemoração. Nos dias seguintes ao título, as ruas se enchem de camisas campeãs, as janelas se enfeitam com bandeiras, as pessoas colam os pôsteres dos jornais na parede do escritório. Enquanto isso, no Engenhão, 20 mil pagantes. Metade do estádio. Por quê?

A baixa média de público foi a tônica do Carioca 2012. A falta de apelo do Engenhão, ingressos caros, concorrência da Libertadores (sobretudo quando os clubes cariocas voltam a freqüentar a parte de cima da tabela do Brasileiro e a participar regularmente da competição continental), transmissão ao vivo da TV, jogos ruins, tudo deve ser levado em consideração. No caso das finais, em minha opinião o que pesou mais para o esvaziamento foi o esquema da final em duas partidas. Trinta anos atrás, fazia sentido jogar o maior número de partidas possíveis para definir o campeão. O Estadual era muito mais valorizado. Raramente uma equipe disputava a Libertadores em paralelo (apenas duas equipes se classificavam por país) e os ingressos eram mais baratos. Lotava-se o Maracanã em tantas partidas quanto fosses disputadas.

Hoje, o Estadual se banalizou. Num torneio dominado pelos times da capital e no qual o regulamento define de antemão que as finais serão realizadas no principal estádio em funcionamento no estado, não se aplica a necessidade de ida e volta por conta de mando de campo. Em termos técnicos, portanto, não se justifica a realização de duas partidas para decidir o campeão. Quando juntamos todos os fatores listados no parágrafo anterior para o esvaziamento das arquibancadas e ainda temos um quadro no qual uma equipe cria uma grande vantagem na primeira partida, o resultado é o que tivemos ontem: arquibancadas meia-bomba para um jogo meia-bomba. Domingo passado, muita gente preferiu ficar em casa, afinal, “não se decidia nada”. A finalíssima seria apenas na semana seguinte. Pelas características do jogo, é muito comum a partida de ida nas finais de Estadual terminarem empatadas. Nenhuma equipe sai pro jogo, se arrisca. Em torneios nacionais/internacionais, o dono da casa vai pra frente. Quer fazer valer a vantagem do mando de campo. Num jogo em campo neutro, isso não existe. É só mapear as finais dos principais estaduais em 2012. À exceção de Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina, a primeira partida da decisão de todos os estados com equipes na Série A terminou empatada. O torcedor não é bobo, sabe disso. Então muita gente prefere guardar o dinheiro e a disposição para a segunda partida. Só que este ano a decisão carioca fugiu à regra. O Fluminense fez 4×1 e praticamente assegurou o troféu. Só botafoguenses de muita fé ou resignação pagaram R$40 ou R$60 para passar metade de um Dia das Mães chuvoso nas arquibancadas (ou em trânsito de ida e volta) para ver seu time confirmar o vice-campeonato. Por outro lado, alguns tricolores empolgados com a Libertadores preferiram guardar seu dinheiro para as quartas-de-final contra o Boca Juniors e comemoram o título em seus almoços familiares de Dia das Mães.

Uma decisão em partida única traria várias vantagens. É garantia de casa cheia. As equipes começam em igualdade de condições. As expectativas das duas torcidas tendem a ser iguais. Cria-se um evento único. “Decisão!”, “Finalíssima!”, “É hoje!”, “Tudo ou nada!”. Os jornais se enchem de maiúsculas, exclamações e superlativos. Por fim, libera-se uma data em nosso apertado calendário. Como evidência empírica dessa teoria, basta verificar que o público das finais de turno, disputadas em jogo único, foram superiores às das finais do campeonato. O que mais justificaria um público maior em jogos que definem os finalistas do que nas partidas em si entre esses finalistas?

O que foi escrito aqui vale para o Carioca, mas não vejo porque não possa ser adotado também em São Paulo e em Minas Gerais, estados onde não é incomum equipes do interior chegarem à decisão. Contudo, quando isso acontece, as federações acabam marcando os jogos para estádios na capital, sob o argumento da capacidade e das condições técnicas. Então, se é pra marcar em estádio neutro, que seja logo um jogo só.

Já nos estados do Sul, apesar do domínio dos times da capital (menor em Santa Catarina, é verdade), a decisão em duas partidas acaba fazendo sentido pelo fato de cada time ter seu estádio e valorizarem muito o seu mando. Imagine uma final em partida única no Gaúcho e a briga para decidir se o Gre-Nal seria no Olímpico ou no Beira-Rio? Acabariam jogando no Passo d’Areia.

Deixe um Comentário

About De Primeira

Futebol, futebol e futebol. . Subscribe via RSS »