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O G-12 brasileiro

May 18th, 2012  |  Published in Campeonato Brasileiro - Série A  |  1 Comment

Neste sábado, 19 de maio, se inicia mais uma edição do Campeonato Brasileiro. Há alguns anos, é comum ouvir que o Brasileiro é o campeonato nacional mais disputado do mundo, pois aqui temos sempre, pelo menos 12 equipes grandes, capazes de conquistar o título, enquanto nos países europeus são sempre as mesmas duas ou três equipes, no máximo quatro. Os “doze grandes” seriam os quatro grandes de São Paulo, os quatro grandes do Rio de Janeiro, a dupla Gre-Nal e a dupla Atlérico-Cruzeiro. Mas até que ponto os resultados mostram que o tal G-12 é uma realidade?

Analisando-se os resultados das principais competições nacionais (Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil) e internacionais (Copa Libertadores e Copa Sulamericana) nas últimas dez temporadas (2002-2011), chegamos à conclusão de que sim, o futebol brasileiro tem se concentrado cada vez mais em torno de um grupo de clubes, e esse grupo é bem próximo do pretenso G-12. A última equipe que não integra o grupo a ter conquistado o Brasileiro foi o Atlético Paranaense, coincidentemente em 2001, último ano antes do período analisado. Depois disso, o próprio Atlético foi o único outsider a beliscar pelo menos o vice-campeonato, em 2004. Além do Atlético Paranaense, poucas equipes de fora do G-12 conseguiram se classificar para a Libertadores neste período através do Brasileiro: São Caetano e Coritiba em 2003, o Goiás em 2005 e o Paraná em 2006. Nenhuma disputou a competição continental com destaque. A exceção, novamente, foi o Atlético: vice-campeão da Libertadores em 2005. Na Sulamericana, destaque para o Goiás, vice-campeão em 2010. Desde 2007, todos os classificados para a Libertadores através do Brasileiro são integrantes do G-12.

Na Copa do Brasil, o panorama é um pouco diferente, o que é facilitado pelo método de disputa em mata-mata e pelo fato de não ser disputada pelas equipes classificadas para a Libertadores no mesmo ano. Três outsiders foram campeões no período: Santo André (2004), Paulista (2005) e Sport (2008). Destes, apenas o Sport passou de fase na Libertadores, sendo eliminado nas oitavas-de-final. Outros quatro foram vice-campeões: Brasiliense (2002), Figueirense (2007), Vitória (2010) e Coritiba (2011).

 

Mas se as primeiras colocações do futebol brasileiro se concentram no pretenso G-12, nem todos os seus membros se concentram nas primeiras posições. Há diversos níveis de sucesso. Sem dúvida, o São Paulo foi o clube brasileiro de maior sucesso nas últimas dez temporadas. Campeão da Libertadores e do Mundo em 2005, vice da Libertadores em 2006, três vezes campeão brasileiro em 2006, 2007 e 2008 e sete vezes seguidas classificado para a Libertadores entre 2003 e 2009. Logo atrás, vem o Internacional. O melhor sucedido na arena internacional, com duas Libertadores (2006 e 2010), um Mundial (2006) e uma Sulamericana (2008). Na arena nacional, bateu na trave diversas vezes, com três vice-campeonatos brasileiros (2005, 2006 e 2009) e um da Copa do Brasil (2009). Chegando perto, está o Santos. Campeão da Libertadores em 2011, duas vezes campeão brasileiro (2002 e 2004), outras duas vezes vice-campeão (2003 e 2007) e campeão da Copa do Brasil em 2010.

Apesar de não brilhar nas competições internacionais, o Corinthians apresentou forte performance nacional, apesar do rebaixamento em 2007. Conquistou duas Copas do Brasil (2002 e 2009) e dois Brasileiros (2005 e 2011), além do vice da Copa do Brasil no ano que disputou a Série B, 2008.

Outros três clubes apresentaram conquistas importantes no período. O Cruzeiro conquistou o Brasileiro e a Copa do Brasil no mesmo ano, em 2003. Se classificou seguidas vezes para a Libertadores, foi vice-campeão em 2009 e ainda vice-campeão brasileiro em 2010. Depois de dois vices seguidos na Copa do Brasil, em 2003 e 2004, o Flamengo conquistou a Copa em 2006 e o Brasileiro em 2009, além de participar de 4 Libertadores em seis temporadas, sem no entanto brilhar em nenhuma delas. O Fluminense também foi vice da Copa do Brasil em 2005, para depois conquista-la em 2007, ser vice-campeão da Libertadores em 2008 e da Sulamericana em 2009, antes de ser campeão Brasileiro em 2010.

O Vasco da Gama é um caso curioso. Grassou pela mediocridade por toda a década. Sua melhor temporada era a de 2006, com um sexto lugar no Brasileiro e o vice da Copa do Brasil. A extensa má fase culminou com o rebaixamento em 2008. De volta à Série A em 2010, voltou a freqüentar o meio da tabela. Até que veio a excepcional temporada de 2011, com o título da Copa do Brasil e o vice-campeonato brasileiro, além de boa campanha na Copa Sulamericana.

Sobram quatro clubes do G-12 sem conquistas importantes nas últimas dez temporadas. Destes, sem dúvida o Grêmio apresenta as melhores campanhas, apesar do rebaixamento em 2004. Vice-campeão da Libertadores em 2007, vice-campeão brasileiro em 2008 e outras classificações para a principal competição continental. O Palmeiras, rebaixado em 2002, não chegou perto dos títulos. Conta como trunfos apenas três classificações para a Libertadores, todas em 4º lugar: 2004, 2005 e 2008.

Por fim, chegamos aos casos críticos: Botafogo e Atlético Mineiro. Os dois têm em comum mais do que as camisas listradas em branco e preto. Ambos passaram por rebaixamentos e chegaram perto dele outras vezes, ambos não participaram de nenhuma Libertadores no período, não chegaram a nenhuma final de Copa do Brasil (apesar de disputa-la em todos os anos) e não tiveram campanhas de destaque na Copa Sulamericana (conseguindo ficar de fora em alguns anos num torneio que chega a contar com a participação do 14º colocado do Brasileiro).

Seria o caso de reduzir o G-12 a um G-10 ou G-9? Na minha opinião, ainda não. Um clube se torna grande através das décadas por diversos aspectos. Performance, torcida e rivalidade são os principais. Ainda estamos longe do dia em que poderemos falar de futebol mineiro se referindo apenas ao Cruzeiro, ou excluir Botafogo e Palmeiras das rivalidades regionais de Rio e São Paulo. Além disso, se foram mal no período 2002-2011, esses clubes apresentaram bons ou ótimos resultados na década anterior, e 20 anos não é tanto tempo assim historicamente falando. O Palmeiras foi um dos clubes mais bem-sucedidos entre 1992 e 2001. Conquistou a Libertadores de 1999, dois Brasileiros (1993 e 1994) e uma Copa do Brasil (1998), além de ter sido vice da Libertadores em 2000, do Brasileiro em 1997 e da Copa do Brasil em 1996. Além de tudo isso, conquistou a Copa Mercosul, antecessora da Sulamericana, em 1998 e a primeira Copa dos Campeões, em 2000, competição que classificava para a Libertadores.

Já o Botafogo conquistou o Brasileiro em 1995 e foi vice da Copa do Brasil em 1999. O Atlético Mineiro, se não foi campeão, chegava nas primeiras posições. Vice-campeão Brasileiro em 1999, disputou as semifinais do campeonato em 1994, 1996 e 2001. O caso do Vasco está aí pra mostrar que quem é grande por tradição pode voltar a agir como tal depois de logos períodos de mediocridade.

Conclusão? Temos sim um G-12, se for para considerar aspectos ampliados, além da performance. Mas, por isso mesmo, pela heterogeneidade dentro do grupo, não dá pra considerar todos os 12 com chances de título todos os anos.

Comentários

  1. Marcelo Negrão says:

    May 20th, 2012at 1:19 pm(#)

    O Botafogo nos ultimos 44 anos ganhou somente 1 brasileiro, 1 Conmebol (atual sulamericana) e 5 estaduais. Parece-me limite para um grande clube (nao fosse o brasileiro de 95 a reflexão poderia ser outra). Clubes fora do G12 tiveram o mesmo exito ou até um pouco melhor nesse mesmo periodo, caso do Bahia, Atl-PR, Coritiba… Afinal 44 anos é 40% da historia desse modesto grande clube.

    Se o Botafogo fosse um clube do Parana ou do Nordeste, com essa mesma trajetoria, seria ele um G-12?

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