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Futebol Olímpico

July 23rd, 2012  |  Published in Uncategorized

As medalhas dos jogos da XXX Olimpíada, Londres -2012

Na próxima quinta-feira, dia 26 de julho, a Seleção Brasileira iniciará sua 12ª participação em um torneio olímpico de futebol masculino. Apesar deste ser o título que nos falta, o currículo olímpico do futebol brasileiro não é desprezível. Só participamos menos do futebol olímpico masculino do que a Itália (15 participações) e os surpreendentes Estados Unidos (14 participações). As 11 participações anteriores renderam quatro medalhas. Duas de prata, em 1984 e 1988 e duas de bronze, em 1996 e 2008. Ao longo dos anos, o torneio olímpico de futebol masculino teve diversas assimetrias, o que explica porque o Brasil não conquistou nenhuma medalha durante a era de ouro de seu futebol,entre as décadas de 1950 e 1970, quando conquistou três Copas do Mundo em quatro edições.

O futebol está presente nos Jogos Olímpicos desde sua infância como esporte internacional. Fez sua estréia na II Olimpíada, em Paris – 1900. Entretanto, os dois primeiros torneios olímpicos não são reconhecidos pela FIFA, por terem sido disputados por clubes, e não propriamente seleções nacionais. O torneio de 1900 foi vencido pelo britânico Upton Park F,C,, de Londres. O torneio dos jogos de Saint Louis – 1904 foi vencido pelo Galt F.C., da cidade canadense homônima.

O time britânico campeão em 1908.

Os jogos de Londres – 1908 marcaram a estréia de seleções organizadas pelas federações nacionais. A seleção do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda conquistou a medalha de ouro. Os britânicos repetiram o ouro nos jogos seguintes, em Estocolmo – 1912. Os jogos de 1916 não se realizaram devido à I Guerra Mundial (1914-1918). Os jogos da Antuérpia – 1920 marcaram a primeira participação de uma seleção nacional de fora da Europa, o Egito. O ouro foi conquistado pela Bélgica, país-sede. Nos jogos de Paris – 1924, o futebol olímpico tomou caráter verdadeiramente mundial, com a segunda participação egípcia e, pela primeira vez, a participação de uma equipe sul-americana, o Uruguai. Os uruguaios maravilharam os europeus com exibições de gala que revolucionariam o esporte. Em 4 partidas rumo ao ouro, foram 17 gols marcados e apenas dois sofridos. Nos jogos seguintes, em Amsterdã – 1928, os uruguaios tiveram a companhia de outro país da América do Sul, a Argentina. E os dois países fizeram a final, com o Uruguai conquistando o bicampeonato, consolidando a mítica da Celeste Olímpica.

O Uruguai de 1924 perfilado.

Cabe considerar que os Jogos Olímpicos então admitiam apenas a participação de atletas amadores. Ao longo da década de 1920, o profissionalismo no futebol começou a se espalhar pela Europa. A restrição olímpica a atletas amadores impedia que as federações nacionais enviassem suas equipes com força total. Ao mesmo tempo, o futebol se provou o esporte mais popular nos jogos olímpicos na década de 1920. Era tempo da FIFA começar a capitalizar sozinha o sucesso do esporte que regulava. Desta forma, surgiu a Copa do Mundo da FIFA, em 1930. A Copa do Mundo foi um fator de esvaziamento do futebol olímpico tão grande que o esporte ficou de fora dos jogos de Los Angeles – 1932.

Apesar disso, a organização dos jogos de Berlim – 1936 resolveu pela volta da modalidade, prevendo que o time alemão tinha grandes chances. A Alemanha, entretanto, perdeu para a Noruega nas quartas-de-final e ficou fora da disputa das medalhas. A Itália, campeã mundial em 1934, conquistou o ouro.

Após a II Guerra Mundial (1939-1945), consolidados a Copa do Mundo e o profissionalismo no futebol nos países ocidentais, o torneio olímpico foi perdendo a importância. Como nos países do bloco socialista os clubes eram mantidos pelo Estado e os jogadores eram, tecnicamente, amadores, os países do bloco conquistaram total hegemonia, ficando com 23 das 27 medalhas disputadas entre 1948 e 1980. Nos jogos de Londres – 1948, o bloco socialista foi representado apenas pela Iugoslávia. Os iugoslavos perderam a final e o ouro para a Suécia. De 1952 em diante, domínio total dos comunistas.

A Hungria de 1952

Os jogos de Helsinque – 1952, marcaram a estréia do Brasil no futebol olímpico. Como não podia enviar jogadores profissionais, o Brasil era representado por equipes jovens. Na primeira participação, jogadores como Mauro, Zózimo e Vavá, que seis anos mais tarde conquistariam a Copa do Mundo. O Brasil chegou até as quartas-de-final, quando foi eliminado pela Alemanha. O ouro ficou com a Hungria, com o mesmo time-base que seria vice-campeão do mundo em 1954.

O Brasil ficou de fora dos jogos de Melbourne – 1956. O ouro foi conquistado pela União Soviética.

Nos jogos de Roma – 1960, o Brasil ficou na fase de grupos, depois de ser segundo colocado em seu grupo (apenas o primeiro lugar avançava) após derrota para a Itália. O ouro foi para a Iugoslávia. Em Tóquio – 1964, mais uma vez o Brasil ficou na fase de grupos, atrás da Tchecoslováquia e dos Emirados Árabes Unidos. A Hungria conquistou seu segundo ouro. O desempenho fraco se repetiu na Cidade do México – 1968, quando ficou atrás de Espanha e Japão. A Hungria conquistou o ouro pela terceira vez. Os jogos de Munique – 1972 foram a pior participação brasileira, duas derrotas (para Dinamarca e Irã) e um empate com a Hungria, apesar de jovens promissores na equipe, como Falcão, Roberto Dinamite, Rubens Galaxe e Abel Braga. A Polônia ficou com o ouro. Já a participação nos jogos de Montreal – 1976, foi a melhor do Brasil com times amadores. Chegou até a semifinal, quando foi derrotado pela então campeã Polônia. Na disputa pelo terceiro lugar, a medalha escapou na derrota para os soviéticos. A Alemanha Oriental conquistou a medalha de ouro.

De fora dos jogos de Moscou – 1980, onde o ouro ficou com a Tchecoslováquia, o Brasil retornou ao futebol olímpico em Los Angeles – 1984. Pela primeira vez, o país pôde levar profissionais, embora não a força máxima. O regulamento do futebol olímpico mudara. Poderiam ser escalados quaisquer jogadores, desde que nunca tivessem disputado uma Copa do Mundo. O Brasil chegou novamente à semifinal, onde enfrentou o time da Itália. O Brasil contava com jovens jogadores que teriam longa e vitoriosa carreira como Dunga, Mauro Galvão, Gilmar Rinaldi e Luiz Carlos Winck. Do lado italiano, Baresi, Massaro e Zenga. O Brasil venceu por 2×1 e classificou-se para sua primeira final olímpica. Na final, a França venceu por 2×0 e ficou com o ouro. O Brasil conquistava sua primeira medalha olímpica no futebol, a de prata.

Para os jogos de Seul – 1988, o Brasil levou um time que misturou jovens talentos (Romário, Bebeto, Taffarel, Mazinho e Jorginho seriam campeões do mundo em 1994. Ricardo Gomes fazia parte do time base para aquela Copa mas foi cortado por contusão) com jogadores experientes que não haviam disputado Copas do Mundo, como Andrade, Careca e Neto. O Brasil fez grande campanha, deixando pelo caminho a Argentina (nas quartas-de-final) e a Alemanha Ocidental na semifinal (quando Taffarel brilhou nos pênaltis pela primeira vez com a camisa da Seleção). Na final, o Brasil saiu na frente da União Soviética com um gol de Romário. Porém os soviéticos empataram e viraram já na prorrogação. O Brasil conquistava sua segunda medalha de prata.

Romário marca na final de 1988, mas o Brasil fica com a segunda prata consecutiva.

As regras para participação no torneio olímpico mudaram mais uma vez em Barcelona – 1992. A partir de então, só poderiam ser convocados jogadores abaixo dos 23 anos, permitindo-se a convocação de até três atletas com idade superior. Entretanto, o Brasil não conseguiu vaga no Pré-Olímpico. Pela primeira vez desde 1920, o ouro ficou com o país-sede, a Espanha. Campeão do Mundo em 1994, o Brasil chegou aos jogos de Atlanta – 1996 com aura de Dream Team. O técnico Zagallo, o mesmo da Seleção principal, tinha à disposição uma talentosa geração de jovens jogadores. Dida, Roberto Carlos, Juninho, Sávio, Luizão e, principalmente, Ronaldo. Tudo isso reforçado pelos veteranos Aldair e Bebeto, além do ainda jovem (porém acima de 23 anos) Rivaldo. Após um início irregular, o Brasil passou de fase e chegou até a semifinal. De forma surpreendente, após estar vencendo a Nigéria por 3×1, cedeu o empate, sofreu o gol de ouro na prorrogação e teve o consolo apenas de conquistar a medalha de bronze após golear Portugal na decisão do terceiro lugar. A Nigéria acabou conquistando o primeiro ouro africano no futebol. Nos Jogos de Sidney – 2000, o Brasil mais uma vez contou com o técnico da Seleção principal, Vanderlei Luxemburgo. Sem o mesmo favoritismo de quatro anos antes, o Brasil tinha nomes como Ronaldinho Gaúcho, Alex, Athirson e Lúcio. Após campanha irregular na fase de grupos, o Brasil sucumbiu nas quartas-de-final novamente contra um adversário africano: Camarões, que acabaria conquistando o ouro.

A Argentina, bicampeã olímpica em 2008, ficou de fora em 2012.

Nos jogos de Atenas – 2004, a Argentina conquistou seu primeiro ouro. O Brasil ficou mais uma vez de fora, retornando aos jogos em Pequim – 2008. Sem favoritismo, o time treinado por Dunga contou com jogadores como Thiago Silva, Marcelo, Hernanes, Alexandre Pato, Anderson e Rafael Sobis. Acima de 23 anos, o Brasil levou o já experiente Ronaldinho. O Brasil venceu todos os seus jogos até a semifinal, quando sucumbiu diante da Argentina comandada por Messi e Riquelme. A Argentina seguiu rumo ao bicampeonato olímpico. O Brasil conquistou seu segundo bronze após vencer a Bélgica.

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