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Sísifo de luvas

August 6th, 2012  |  Published in Campeonato Brasileiro - Série A, Futebol  |  1 Comment

Passar a eternidade empurrando uma pedra gigantesca montanha acima e ao chegar lá ao fim do dia, ela despencar ladeira abaixo e ter de ir buscar e começar tudo de novo no dia seguinte. Troque a mitologia grega pelo futebol, a pedra por uma bola, a montanha por uma trave, o dia por 90 minutos e o nome do personagem para Magrão.

O que este sujeito fez na partida contra o São Paulo foi algo no limite entre a realidade e o delírio. Aos 15 minutos de jogo, ele já tinha feito duas defesas impossíveis, que pareceram encorajar o restante do time a até equilibrar o jogo. No intervalo, a esperança de que finalmente o Sport poderia conseguir algo diferente de derrota para o Santa Cruz com grife em jogos na capital paulista.

Intervalo, a primeira tristeza: no Morumbi toca rock quando o time da casa entra em campo. E no intervalo também. Rock n’ Roll. Lembro da Ilha, onde toca pagodinho de corno, onde toca “Ai, ai, ai, ai, ai, ai, assim você mata o papai.” Será possível que ninguém se deu conta que um dos apelidos do Sport é Papai da Cidade?

Na etapa final, a coisa ficou ainda mais complicada, mas Magrão estava lá, defendendo bola de tudo quanto é jeito, de direita, de canhota, de cabeça, do jeito que tentassem ele estava lá. Nível “se goleiro tem sinônimo, é Magrão.”. Mas caia o frio e chuvoso início da noite, a hora que Sísifo chega ao alto da montanha, no rebote de uma outra defesa impossível, gol do São Paulo.

A pedra cai. A bola balança a rede. Uma das maiores atuações de um goleiro na história do futebol cai por terra aos 33 minutos do segundo tempo. 15 jogos em São Paulo contra eles, 15 derrotas. Mas ainda haviam 12 minutos e acréscimos. Não, não haviam. Mas esta não foi a segunda tristeza.

Esta estava reservada para a saída da arquibancada. Me deparo com o pai de Magrão, que já conhecia dos negros tempos da Segundona, em estádios de acesso mais fácil à saída dos vestiários.

“Sacanagem fizeram com teu filho, hein?”, digo-lhe.

“Pois é…”

Doeu. Muito.

E seguiu-se um curto debate técnico e tático com ênfase em um certo zagueiro que substituiu um meia inútil para reforçar a defesa e foi o grande responsável pela jogada que resultou no gol. Por coincidência, ex-atleta do adversário. Sem citar nomes.

Porque se é pra citar um nome nesse texto, é o de Magrão.

Comentários

  1. Swasey says:

    October 7th, 2012at 11:19 pm(#)

    Xico, Pellege eu queria fazer uma sujsete3o pra pauta do programa, uma vez ou outra vcs poderiam falar sobre a biografia de um grande jogador que fez sucesso na Europa e ne3o e muinto conhecido aqui no Brasil, como por exemplo Eric Canton ou van Basten.

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