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O Corinthians na Libertadores

Com certo atraso em relação ao início da competição, o De Primeira inicia uma série com o retrospecto dos participantes brasileiros na Copa Libertadores da América 2012 ao longo da história da competição. A ordem de publicação seguirá a classificação do Brasileiro 2011. Portanto, inciaremos com o Campeão Brasileiro de 2011, Corinthians. O empate no […]

Com certo atraso em relação ao início da competição, o De Primeira inicia uma série com o retrospecto dos participantes brasileiros na Copa Libertadores da América 2012 ao longo da história da competição. A ordem de publicação seguirá a classificação do Brasileiro 2011. Portanto, inciaremos com o Campeão Brasileiro de 2011, Corinthians.

O empate no sufoco em 1×1 com o Depotivo Táchira, na Venezuela, inciou a 10ª participação corintiana na Libertadores. O alvinegro já é o clube brasileiro com o maior número de participações na competição sem te-la vencido.

 I)                   1977: estréia apagada

Estreia contra o Inter, em 1977

 

Regulamento: 21 participantes. Na fase de grupos, 20 equipes se dividem em 5 quadrangulares, disputados em turno e returno. Os vencedores de cada grupo se classificam para a fase semifinal. Na fase semifinal, os 5 classificados se juntam ao campeão do ano anterior e são divididos em dois triangulares, disputados em turno e returno. Os vencedores de cada grupo fazem a final.

Vice-campeão brasileiro em 1976, o Corinthians se classificou para disputar a Libertadores pela primeira vez no ano seguinte. Estreou no dia 3 de abril, empatando em 1×1 com o Internacional no Morumbi. O Inter de Falcão havia derrotado o Timão três meses antes na final do Brasileiro de 1976.

Viajando para o Equador, o Corinthians sofreu duas derrotas por 2×1: no dia 9 de abril para o El Nacional, em Quito; e no dia 13 para o Deportivo Cuenca, em Cuenca. No dia 24, mais uma derrota fora de casa: 1×0 para o Internacional em Porto Alegre.

Ainda com chances de classificação, o Corinthians conquistou sua primeira vitória na história da competição no dia 30 de abril, vencendo o El Nacional, no Pacaembu. Entretanto, no dia seguinte, a vitória do Internacional frente ao Deportivo Cuenca eliminou o Timão. Mesmo assim, o Corinthians se despediu dignamente no dia 4 de maio, goleando o Deportivo Cuenca por 4×0, em São Paulo. Com cinco pontos, o Corinthians foi o terceiro colocado em seu grupo.

II)                 1991: o retorno após 14 anos

Empate com o Boca Juniors no Morumbi elimina o Corinthians em 1991 - Foto: Acervo/Gazeta Press

regulamento: 21 participantes. Na fase de grupos, 20 equipes se dividem em 5 quadrangulares, disputados em turno e returno. Os 3 primeiros de cada grupo se classificam para as oitavas-de-final. Nas oitavas-de-final, os 15 classificados se juntam ao campeão do ano anterior, e seguem-se eliminatórias simples em ida e volta até a final. Este regulamento persistiu até 1999. 

Em um tempo em que apenas duas equipes brasileiras disputavam a Libertadores por ano, o Corinthians, sem conquistas em torneios nacionais, ficou um longo período afastado da competição. Em 1990 conquistou pela primeira vez o Campeonato Brasileiro, e carimbou o passaporte para a Libertadores após quase uma década e meia.

Estreou no dia 20 de fevereiro, novamente com um empate em 1×1, desta vez contra o Flamengo, que mandou o jogo em Cuiabá. Em março, viajou ao Uruguai, de onde voltou com outros dois empates em 1×1, no dia 11 contra o Bella Vista e no dia 15 contra o Nacional. Estreando em casa, no Pacaembu, o Corinthians perdia por 2×0 para o Flamengo quando um tumulto generalizado e invasão de campo interrompeu a partida aos 39’ do segundo tempo. O resultado foi mantido.

Devido ao tumulto, o Pacaembu foi interditado para a competição, e o Corinthians fez suas duas partidas restantes na fase de grupos no Morumbi. A goleada por 4×1 sobre o Bella Vista no dia 29 de março garantiu a passagem corintiana para as oitavas-de-final. Já classificado, o Corinthians empatou em 0x0 com o Nacional no dia 5 de abril. Com seis pontos, o Timão foi o segundo colocado no grupo, empatado em todos os critérios com o Nacional. Foi realizado um sorteio, no qual o Corinthians conquistou a segunda posição. Como os três primeiros se classificavam, o sorteio serviu apenas para determinar os cruzamentos do mata-mata.

Assim, a vitória no sorteio acabou não sendo muito feliz para o Corinthians. Enquanto o Nacional pareou nas oitavas-de-final com uma equipe boliviana, coube ao alvinegro enfrentar o tradicional Boca Juniors, que na época ainda não era o bicho-papão que se tornaria na década seguinte, mas jogava na sempre temida Bombonera e contava em sua equipe com o jovem Gabriel Batistuta.

No jogo de ida das oitavas-de-final, em 17 de abril, em Buenos Aires, o Boca venceu por 3×1, com dois do Bati-Gol. Oito dias mais tarde, no Morumbi, o empate em 1×1 eliminou o Corinthians.

III) 1996: a primeira boa campanha

Edmundo foi a grande contratação para a Libertadores de 1996

Com a criação da Copa do Brasil, em 1989, era necessário ser campeão brasileiro ou da Copa do Brasil para ir à Libertadores. Desta forma, o vice brasileiro em 1994 de nada valeu ao Corinthians. Só voltou à competição após conquistar sua primeira Copa do Brasil, em 1995.

Com um time forte, o Corinthians estreou no Pacaembu, no dia 13 de março, vencendo o Botafogo, que havia sido campeão brasileiro menos de três meses antes, por 3×0. Marcelinho Carioca e Edmundo marcaram. Após a estreia, o Timão seguiu para Santiago, onde venceu a Universidad Católica por 3×2 no dia 19 (no que foi sua primeira vitória fora de casa na Libertadores) e perdeu para a Universidad de Chile por 1×0 no dia 22.

Em 29 de março voltou ao Pacaembu para vencer a Universidad Católica por 3×1. Em 3 de abril empatou em 1×1 com o Botafogo no Rio de Janeiro, e encerrou a participação na fase de grupos vencendo a Universidad de Chile por 3×1 em São Paulo, no dia 16 de abril.

Pela primeira vez com uma campanha consistente, classificou-se para as oitavas-de-final em primeiro lugar do grupo, com 13 pontos.

Nas oitavas-de-final, o adversário do Corinthians foi o Éspoli, do Equador. O Timão conquistou duas vitórias, 3×1 em Quito, no dia 1º de maio, e 2×0 no Pacaembu, uma semana depois. Na viagem de volta do Equador, um quase-desastre. Para escapar do cansaço que as várias conexões necessárias às rotas comerciais entre São Paulo e a capital equatoriana, o clube fretou um avião. Na decolagem no aeroporto de Quito, o avião passou direto da cabeceira da pista, atravessou uma avenida movimentada e parou pouco antes de atingir o casario vizinho. Ninguém se feriu gravemente, mas o susto foi grande.

Em 15 de maio, no Morumbi, o Corinthians jogou pela primeira vez pelas quartas-de-final de uma Libertadores. Entretanto, o resultado foi muito ruim. 3×0 para o Grêmio de Jardel e Paulo Nunes, que defendia o título conquistado em 1995. Uma semana depois, o Corinthians ainda venceu o Grêmio em Porto Alegre, mas o 1×0 não foi suficiente para reverter a vantagem gremista.

IV) 1999: a queda ante o maior rival

Vampeta lamenta o pênalti defendido por Marcos e o Palmeiras comemora em 1999

Campeão Brasileiro pela segunda vez, em 1998, o Corinthians chegava forte mais uma vez à Libertadores. Desta vez, com uma motivação extra. A outra equipe brasileira classificada era o Palmeiras, campeão da Copa do Brasil e maior rival corintiano.

E logo na estréia, em 27 de fevereiro, no Morumbi, triunfo palmeirense: 1×0, gol de Arce. Em 10 de março, no Pacaembu, o Corinthians conquistou sua maior vitória na história da Libertadores. Goleou o Cerro Porteño por 8×2, cinco gols de Fernando Baiano. Uma semana mais tarde, no Morumbi, devolveu a derrota da estréia ao Palmeiras: 2×1. No fim de março, viajou para o Paraguai. No dia 24, foi derrotado pelo Cerro Porteño por 3×0. Dois dias depois venceu o Olímpia por 2×1.

 Já classificado, faltava ao Corinthians apenas conquistar a primeira colocação no grupo e ficar na frente do Palmeiras. A goleada por 4×0 sobre o Olímpia, no Pacaembu, no dia 9 de abril, garantiu a primeira colocação no grupo com 12 pontos.

Nas oitavas-de-final, o adversário foi o Jorge Wilstermann, da Bolívia. Na partida de ida, no dia 14 de abril, em Cochabamba, empate em 1×1. Na volta, uma semana depois, em São Paulo, o Corinthians goleou por 5×2 e avançou pela segunda vez às quartas-de-final.

O adversário: o arqui-rival Palmeiras. As duas partidas foram disputadas no Morumbi. No jogo de ida, em 5 de maio, o Palmeiras venceu por 2×0. Uma semana mais tarde, no jogo da volta, o Corinthians devolveu os 2×0, gols de Edílson e Ricardinho. A decisão foi para os pênaltis. O Palmeiras converteu as quatro cobranças que teve. O Corinthians converteu duas. Dinei cobrou uma para fora e Marcos defendeu a cobrança de Vampeta. A lenda em construção de São Marcos levou o Palmeiras adiante, que acabou campeão. O Corinthians ficou mais uma vez pelo caminho, e eliminado pelo maior rival.

V) 2000: a melhor campanha 

Em, 2000, mais uma vez, o Timão ficou nos pênaltis diante do maior rival

regulamento: 32 equipes divididas em 8 quadrangulares disputados em turno e returno. Os dois primeiros colocados de cada grupo avanças para as oitavas-de-final e seguem-se eliminatórias simples em ida e volta até a final. O regulamento foi o mesmo até 2003.

Bi-campeão, o Corinthians conquistou seu terceiro título brasileiro em 1999. Dominando o cenário nacional no final da década de 1990, restava ao Corinthians conquistar a Libertadores. Após a conquista do Palmeiras, em 1999, o alvinegro se tornou a única grande equipe paulista sem o título.

E o começo não foi bom. Em 16 de fevereiro, o Corinthians foi à Cidade do México e foi derrotado pelo América: 2×0. Em 3 de março, o Corinthians se recuperou aplicando 6×0 na LDU, no Pacaembu. Em 14 de março, empatou em 2×2 com o Olímpia, am Assunção. Em 5 de abril, venceu o América por 2×1, no Pacaembu. No dia 11 foi a Quito e venceu a LDU por 2×0. Encerrou a boa campanha na fase de grupos vencendo o Olímpia, no Pacaembu, no dia 19, por 5×4. Com 13 pontos, classificou-se para as oitavas-de-final em primeiro no grupo.

Nas oitavas-de-final, o adversário foi o Rosário Central. Na partida de ida, em Rosário, derrota por 3×2, no dia 3 de maio. No dia 9, na partida de volta, no Pacaembu, o Corinthians devolveu o placar de 3×2. A decisão foi para os pênaltis. Dessa vez, Dida pegou uma cobrança dos argentinos e outra foi para fora. O Corinthians auperava o trauma dos pênaltis e estava mais uma vez nas quartas-de-final.

Pela terceira vez, o clube teve um adversário brasileiro nas quartas. Desta vez, o Atlético Mineiro. No jogo de ida, no Mineirão, em 18 de maio, empate em 1×1. No jogo de volta, no Morumbi, no dia 23, o Corinthians venceu por 2×1 e chegou, pela única vez, às semifinais.

E na semifinal o adversário foi, mais uma vez, o arqui-rival Palmeiras. Novamente, duas partidas no Morumbi.  Em 30 de maio, num jogo épico, o Corinthians venceu por 4×3. Na volta, uma semana depois, o Palmeiras venceu por 3×2. Mais uma vez, a decisão foi para os pânaltis. E mais uma vez, brilhou a estrela de São Marcos, que defendeu a cobrança de Marcelinho.

VI) 2003: o peso do trauma

Pela segunda vez campeão da Copa do Brasil em 2002, o Corinthians ainda seria vice-campeão brasileiro naquele ano. Três anos após as traumáticas eliminações nos pênaltis para o Palmeiras, a equipe voltava à Libertadores.

Na fase de grupos, o Corinthians fez grande campanha. Na estréia, no dia 5 de fevereiro, vitória de 1×0 sobre o Cruz Azul, no Pacaembu. Duas semanas mais tarde, vitória por 2×1, sobre o Fênix, em Montevidéu. No dia 11 de março, o Corinthians goleou o The Strongest no Pacaembu por 4×1. A seqüência de vitórias foi interrompida no dia 26, na derrota de 3×0 diante do Cruz Azul na Cidade do México. No dia 2 de abril, o reencontro com a vitória em grande estilo. No Pacaembu, goleada de 6×1 sobre o Fênix. Uma semana depois, o Corinthians não tomou conhecimento da altitude de La Paz e venceu o The Strongest por 2×0. Classificou-se para as oitavas-de-final em primeiro lugar no grupo, com 15 pontos.

Nas oitavas-de-final, o adversário foi o tradicional River Plate, da então revelação D’Alessandro. Na partida de ida, em 1º de maio, derrota por 2×1 em Buenos Aires. Na volta, treze dias depois, no Morumbi, nova derrota por 2×1. A Libertadores se consolidava como um trauma corintiano.

VII) 2006: ataque de nervos

 

regulamento: 38 equipes. 26 pré-classificadas para a fase de grupos, 12 (a última classificada de cada país e os dois últimos classificados do país do clube campeão no ano anterior) tendo que disputar uma fase eliminatória simples, com jogos de ida e volta. Na fase de grupo, os 26 pré-classificados se juntam aos 6 vencedores da fase eliminatória e são divididos em 8 quadrangulares, disputados em turno e returno. Os dois primeiros colocados de cada grupo avançam para as oitavas-de-final, de onde seguem eliminatórias simples em ida e volta até a final. O regulamento é o mesmo desde então, à exceção de 2010.

Campeão brasileiro em 2005, o Corinthians voltava à Libertadores com o argentino Tévez como estrela da companhia. Na estréia, em 15 de fevereiro, vitória de 1×0 sobre o Deportivo Cáli, em Cáli. Uma semana depois, empate de 2×2, em casa, contra a Universidad Católica. No dia 9 de março, derrota por 2×0 para o Tigres, em Monterrey. Após a derrota, campanha de recuperação com três vitórias seguidas, 1×0 sobre o Tigres, em São Paulo; 3×2 sobre a Universidad Católica, em Santiago e 3×0 sobre o Deportivo Cáli, em São Paulo. Nas oitavas-de-final, novamente o adversário era o River Plate. No jogo de ida, em Buenos Aires, derrota por 3×2. O resultado era reversível. Batava vencer por 1×0, em casa. E o Corinthians saiu na frente, no Pacaembu. No entanto, cedeu a virada. Quando o River marcou o terceiro gol, a exemplo do que acontecera quinze anos antes, contra o Flamengo, a torcida invadiu o campo e quase tudo termina em tragédia.

VIII) 2010: o filme se repete 

Gol de Vágner Love deixa o Corinthians pelo caminho em 2010

regulamento: 40 equipes. 26 pré-classificadas para a fase de grupos, 12 (a última classificada de cada país e os dois últimos classificados do país do clube campeão no ano anterior) tendo que disputar uma fase eliminatória simples, com jogos de ida e volta e dois pré-classificados para as oitavas-de-final¹. Na fase de grupo, os 26 pré-classificados se juntam aos 6 vencedores da fase eliminatória e são divididos em 8 quadrangulares, disputados em turno e returno. O primeiro colocado de cada grupo e os 6 melhores segundos colocados avançam para as oitavas-de-final, onde se juntam aos 2 pré-classificados e seguem eliminatórias simples em ida e volta até a final.

Campeão da Copa do Brasil pela terceira vez, em 2009, o Corinthians voltava à Libertadores ostentando Roberto Carlos e Ronaldo no elenco, consolidando sua recuperação após o rebaixamente para a Série B, em 2007.

Mais uma vez, o Corinthians fez campanha muito boa na fase de grupos, obtendo, inclusive, a melhor de todas. Venceu o Racing uruguaio por 2×1, no Pacaembu; empatou em 1×1 com o Independiente Medellín, em Medellín; venceu o Cerro Porteño, em Assunção, por 1×0; venceu novamente o Cerro Porteño, agora por 2×1, em São Paulo; venceu o Racing, em Montevidéu, por 2×0 e venceu o Independiente Medellín, no Pacaembu, por 1×0.

Nas oitavas-de-final, o adversário foi o Flamengo, campeão brasileiro cinco meses antes, mas que havia feito campanha irregular na fase de grupos, garantindo a classificação apenas por uma combinação de resultados. No dia 28 de abril, no Maracanã, derrota por 1×0. No jogo da volta, uma semana depois, o Corinthians venceu o Flamengo no Pacaembu por 2×1. No entanto, foi mais uma vez eliminado, devido ao gol marcado fora de casa pelo rubro-negro.

 IX) 2011: pior (e mais curta) campanha. 

Mélancólica despedida para Ronaldo, o Fenômeno, em 2011

Terceiro colocado no Brasileiro de 2010, o Corinthians teria que disputar a pré-Libertadores para chegar à fase de grupos. O adversário era o Deportes Tolima, equipe média da Colômbia. Na estréia, no Pacaembu, em 25 de janeiro, decepcionante empate em 0x0. Na volta, em Ibagué, em 2 de fevereiro, a derrota por 2×0, na partida melancólica que foi a última disputa oficial de Ronaldo, eliminou a equipe da Libertadores antes mesmo da fase de grupos.

March 1st, 2012 | Published in Corinthians, Libertadores  |  1 Comment


Taça Guanabara. O título que não é. Ou é?

As manchetes esportivas cariocas desta segunda-feira podem ser resumidas assim: “Em grande exibição, o Fluminense venceu ontem (26/fev) o Vasco da Gama no Engenhão por 3×1 e sagrou-se campeão da Taça Guanabara 2012, classificando-se para as finais do Campeonato Carioca. A vitória selou o fim de um jejum de 19 anos do tricolor na competição.” […]

Ursula Nery/Agência FFERJ

As manchetes esportivas cariocas desta segunda-feira podem ser resumidas assim: “Em grande exibição, o Fluminense venceu ontem (26/fev) o Vasco da Gama no Engenhão por 3×1 e sagrou-se campeão da Taça Guanabara 2012, classificando-se para as finais do Campeonato Carioca. A vitória selou o fim de um jejum de 19 anos do tricolor na competição.”

Para quem não é do Rio de Janeiro, o texto acima produz algum incômodo. “Peraí, como o time pode ser campeão se apenas se classificou para a final de um campeonato? Jejum em turno de campeonato? E alguém lá liga pra isso? Se Estadual hoje em dia já vale pouco, por que tanta comemoração e frisson sobre a conquista de uma vaga em final de Estadual?”

Pois bem, há alguns fatores que ajudam a explicar porque a Taça Guanabara é comemorada como título, mesmo sendo na verdade apenas uma vaga na final do Carioca.

A tradição na origem

A origem da Taça Guanabara remonta à década de 1960, quando o Campeonato Carioca era uma das competições mais importantes do país. O Botafogo, ao lado do Santos, era a principal base da Seleção Brasileira. Os outros clubes cariocas contribuíam com peças importantes. Vale lembrar que, naquela época, o atual município do Rio de Janeiro era uma unidade da federação autônoma: o Estado da Guanabara¹. O Campeonato Carioca fazia juz ao nome² e era disputado pelos quatro grandes e clubes do subúrbio da cidade do Rio. Desde 1959, havia uma competição nacional oficial de clubes, a Taça Brasil, criada para indicar o representante brasileiro na Taça Libertadores. A competição era eliminatória, e contava com um representante de cada estado onde havia futebol profissional. Até 1964, a Guanabara indicava seu campeão da temporada anterior para o torneio nacional. Entretanto, em 1965, criou-se uma nova competição para indicar o representante carioca na Taça Brasil: a Taça Guanabara. A competição diferia do Campeonato Carioca praticamente apenas pelo nome. Enquanto o Carioca era disputado por oito clubes em pontos corridos, turno e returno, a Taça era até mais restrita: disputada por seis clubes (os seis primeiros do Carioca do ano anterior) em turno e returno. Na prática, a Taça acabava sendo mais importante do que o próprio Carioca, pois valia uma vaga em competição nacional, enquanto o Carioca acabava sendo meramente classificatório para a Taça. Assim foram as primeiras quatro edições. O Vasco da Gama foi o primeiro campeão. Em 1966 passou a ser disputada em turno único, sendo vencida pelo Fluminense , seguido pelo Botafogo em 1967 e 1968. Neste último ano, o Botafogo de Jairzinho, Carlos Alberto, Gérson e Paulo César Caju acabou campeão da Taça Brasil.

O breve limbo

Em 1969 a Taça Brasil acabou. A Taça Guanabara perdeu sua função principal. Porém, como a competição havia “pegado” (praticamente disputavam-se apenas clássicos), continuou a ser realizada e atraindo grandes públicos ao Maracanã. Deu Fluminense em 1969 e 1971 e Flamengo em 1970.

O “título do primeiro turno”.

Até 1971 o Campeonato Carioca era disputado em pontos corridos, com turno e returno. No máximo, ocorriam algumas variações em torno disso, como alguma fase anterior eliminando algumas equipes, mas a soma total de pontos era sempre o critério para o título. Em 1972 foi criado o sistema de campeões de turnos se enfrentando em finais. E eles eram três. A Taça Guanabara passou a ser oferecida ao campeão do primeiro. Outros nomes foram dados às taças dos demais turnos, mas nenhum “pegou”, até o advento da Taça Rio em 1982. Mesmo assim, a Taça Rio nunca foi tão comemorada como a Guanabara. A comparação entre a lista de campeões cariocas e de campeões da Taça Guanabara nas 35 vezes em que a Taça correspondeu a uma vaga na final do Estadual entre 1972 e 2011 traz esperanças aos tricolores: por 21 vezes, ou 3/5 do total, o campeão da Taça Guanabara acabou sendo o campeão carioca.

Flamengo – 11 (1972, 1978, 1979, 1981, 1996, 1999, 2001, 2004, 2007, 2008 e 2011)

Vasco da Gama – 4 (1977, 1987, 1992 e 1998)

Botafogo – 3 (1997, 2006 e 2010)

Fluminense – 3 (1975, 1983 e 1985)

Nos dois quintos restantes, o Flamengo foi vice-campeão carioca cinco vezes, após ter conquistado a Guanabara: 1973, 1982, 1984, 1988 e 1989. O Vasco, quatro vezes (1976 , 1986, 1990 e 2000); o Fluminense duas (1991 e 1993); o Botafogo uma (2009) e o Volta Redonda uma (2005). O América, campeão da Taça em 1974, acabou sendo o terceiro colocado no campeonato daquele ano, que teve três turnos.

As exceções

Dizem que as exceções confirmam as regras. O clichê vale para a Taça Guanabara. De 1972 até hoje, por cinco vezes a Taça não valeu vaga na final do campeonato. Uma única vez, em 1980, quando conquistada pelo Flamengo, voltou a ser um torneio à parte. Nas outras quatro oportunidades fez parte de campeonatos cujo regulamento era distinto da lógica dos campeões dos turnos se enfrentando nas finais. Por que digo que estas exceções confirmam a regra? Porque mesmo o campeonato tendo uma fórmula diferente, a disputa da Taça Guanabara foi mantida. O mesmo não aconteceu, por exemplo, com a Taça Rio. Em 1994 o campeonato teve uma fase de classificação com dois grupos e um quadrangular final. Entre as duas fases, os campeões dos grupos se enfrentaram valendo a Taça Guanabara. O Vasco venceu e ganhou um ponto de bonificação para a fase final, quando, por um ponto de diferença, foi tricampeão carioca. No ano seguinte, novamente uma fase de classificação com dois grupos e uma fase final em pontos corridos, agora com oito equipes. Entre as duas fases, disputa da Taça Guanabara entre os vencedores dos grupos. O Flamengo levantou a única taça de seu centenário e ganhou um ponto de bonificação para o octogonal final, onde terminaria vice-campeão. Em 2002, a CBF reorganizou o calendário do futebol brasileiro, oficializando a disputa dos torneios regionais no primeiro semestre, em detrimento dos estaduais. Estes passariam a ser disputados apenas pelos pequenos clubes, e funcionariam como classificatórios para os regionais, que reuniam as grandes equipes. A Federação do Rio, entretanto, se recusou a não promover seu campeonato. Inventou um sistema no qual uma longa primeira fase era disputada em dois turnos ao longo do semestre entre os pequenos clubes e equipes juniores dos grandes, já pré-classificados para uma segunda fase, onde teriam a companhia dos quatro melhores pequenos. A Taça Guanabara foi entregue ao campeão do primeiro turno da primeira fase, o Americano, de Campos dos Goytacazes, primeiro clube do interior a levantar a Taça Guanabara. O Americano acabou vice-campeão carioca naquele ano.

Em 2003, nova reformulação do calendário brasileiro. Foi instituído o Brasileiro por pontos corridos, com oito meses de duração. Os regionais foram extintos e os estaduais voltaram, porém restritos aos primeiros três meses do ano. Para se adequar ao calendário curto, o carioca deixou de ser disputado em turno e returno. Havia uma primeira fase em turno único e os quatro melhores classificavam-se para as semifinais. Para não escapar à tradição, o melhor da primeira fase levou a Taça Guanabara. Deu Vasco, que acabou campeão carioca. Em 2004 iniciou-se o sistema atual, com grupos e semifinais e finais de turno, adequando o sistema tradicional dos campeões de turno se enfrentando nas finais ao calendário curto.

¹ Capital da República até 1960, a cidade do Rio de Janeiro era separada do Estado do Rio de Janeiro, constituindo o Distrito Federal. Quando a capital foi transferida para Brasília, o antigo DF se transformou no Estado da Guanabara, situação que permaneceu até 1975, quando houve a fusão entre os estados da Guanabara e do Rio de Janeiro.

² “Carioca” é o gentilíco aplicado àqueles que nascem na cidade do Rio de Janeiro. O gentílico referente ao Estado é “fluminense”. Daí que o correto seria chamar o atual campeonato estadual do Rio de Janeiro de Fluminense. Porém Carioca resiste por conta da tradição.

February 27th, 2012 | Published in Futebol Carioca


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January 25th, 2012 | Published in Uncategorized


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